História

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A história de Rio Negrinho está vinculada à de São Bento nos seus primórdios, pois se emancipou somente em 30 de dezembro de 1953 pela Lei Estadual nº 133. Os primeiros europeus a passarem por terras onde hoje se encontra Rio Negrinho e São Bento foram: em 1523 o português Aleixo Garcia e em 1541 o espanhol Don Alvar Nuñes Cabeza de Vaca e seus homens. Ambos interessados nos tesouros Incaicos dos Altiplanos Andinos que poderiam ser alcançados através do caminho do Peaberu, rota conhecida dos nossos indígenas brasileiros que lhes serviam de guia.

No século XIX a Europa vivenciava profundas transformações sócio-econômicas decorrentes da Revolução Industrial e a vida no campo tornava-se inviável. A grande maioria da população européia eram os excluídos e explorados pelos grandes senhores de terras. O empobrecimento da população levou ao êxodo rural, aumentando a urbanização. Com a tecnologia e a mecanização da economia, a Europa deparou-se com um batalhão de desempregados, fazendo com que no período compreendido entre 1815 a 1920 cerca de 60 milhões de pessoas emigrassem, aonde aproximadamente 100 a 200 mil vieram para o Brasil em busca de melhores condições de vida. As vantagens oferecidas pelo governo brasileiro aos imigrantes eram atrativas e resolveria o problema de ocupação de várias regiões brasileiras até então desabitadas.

Na Europa desenvolveu-se grande campanha exaltando a nova colônia e despertando esperança de melhoria de vida. Saiu de Hamburgo o primeiro barco de imigrantes rumo à Colônia D. Francisca, o "Colon" que chegou a São Francisco do Sul em 06 de março de 1851 e no dia 09 de março 118 pessoas se estabeleciam precariamente na região onde hoje é Joinville. Outro fator que impulsionou a colonização com o intuito de colonizar os sertões foi o término da Guerra do Paraguai (1864 - 1870). Pessoas que lutaram em defesa do Brasil, começaram a cobrar do governo Imperial os "louros da vitória" e uma forma de contentá-los seria o de facilitar-lhes a colonização com o intuito de povoar os sertões. Com o fim da Guerra entre a França e Alemanha em 1871, muitos imigrantes se dirigiram para a Colônia D. Francisca, ocasionando o seu crescimento e em 17/07/1873, devido à falta de lotes colonizáveis, um grupo de 12 pessoas subiu a serra a pé para demarcar os primeiros lotes no vale do Rio São Bento, assim chamado por caçadores, ervateiros e bugreiros vindos do Sul do Paraná, por ser o santo de sua devoção e porque tinha fama de proteger contra picada de cobra.

Em 20 de setembro de 1873, setenta imigrantes e dois tropeiros brasileiros, João Fragoso e José Manuel da Cruz, iniciaram a subida da Serra rumo à futura "Colônia Agrícola São Bento" e no dia 23 de setembro de 1873 receberam os 64 lotes demarcados, fundando oficialmente a colônia de São Bento e mais tarde, 15 Km a Oeste surgiria o povoamento denominado Rio Negrinho.

As terras onde se localiza Rio Negrinho pertenciam ao Brigadeiro Manoel de Oliveira Franco de Curitiba. Os primeiros moradores que aqui chegaram vieram a mando do Brigadeiro Franco, oriundos de São José dos Pinhais/PR, com o intuito de "ocupar" extensa área de terras da região. As primeiras famílias que aqui se fixaram por volta de 1874 foram: Ferreira de Lima, Simões de Oliveira, Carvalho e Cardoso.

Em 1853 o engenheiro Carl August Wunderwald vem ao Planalto e com três trabalhadores abrem uma picada - que mais tarde seria a Estrada Dona Francisca. Cinco anos após o governo Imperial assumiu a responsabilidade da construção definitiva da Estrada Dona Francisca, com subvenções mensais. A Guerra do Paraguai retardou um pouco a conclusão da Estrada. Em 1880 a Estrada Dona Francisca passa por Rio Negrinho e a empresa do engenheiro Riques monta acampamento junto à obra. Instalaram-se em Rio Negrinho, provenientes de Lençol e do interior da região, várias famílias ao longo do traçado da Estrada que seguia a construção até Mafra/Rio Negro, com prestação de serviços. Luiz Scholz montou uma casa de comércio, Carlos Hantschel uma sapataria e José Brey uma hospedaria. A Estrada Dona Francisca foi concluída em 1892. A construção da estrada empregava como mão-de-obra muitos imigrantes alemães o que auxiliava no sustento da família.

Transmissão e Posse do Primeiro Prefeito Eleito

Primeira Câmara de Vereadores de Rio Negrinho 15 de Novembro de 1954

Nos anos de 1911 a 1913, com a passagem da Estrada de Ferro São Paulo/Rio Grande - ramal Porto União a São Francisco do Sul - e da construção da Estação Ferroviária que recebeu o nome de Rio Negrinho - é que realmente uma vila começou a se formar. A estrada de ferro ofereceu mais uma opção de escoamento de produção e famílias vindas do Lençol, São Bento, Salto e outras regiões aqui se fixaram contribuindo para o crescimento da então "Vila", entre elas famílias de Bernardo Olsen, que transferiu seu comércio de Lençol para cá e passou a trocar mercadorias coloniais por artigos de primeira necessidade.

Com a inauguração da ferrovia em 1913 começa a indústria moveleira em Rio Negrinho. A partir de 1914 surge a Jung & Cia, de propriedade de Jorge Zipperer e Willy Jung, precursora da Móveis Cimo S/A, que projetou Rio Negrinho a nível internacional como a "Capital dos Móveis”. Esta indústria impulsionou o desenvolvimento de Rio Negrinho, que começou a se organizar, tornando-se distrito de São Bento através da Lei Municipal 155, de 13 de dezembro de 1925, projeto de Jorge Zipperer e aprovada pelo superintendente de São Bento, Luiz de Vasconcelos. Administrativamente, Rio Negrinho continuou dependente de São Bento até fevereiro de 1927 quando foi nomeado o primeiro intendente distrital, Pedro Simões de Oliveira. De 1927 a 1954, Rio Negrinho teve 14 intendentes.

Muitos rio-negrinhenses queriam a emancipação política do então distrito e neste período anterior à emancipação política de Rio Negrinho, começa a despontar uma nova geração de jovens políticos, com idéias novas e que sonham tornar Rio Negrinho município, opondo-se aos velhos líderes políticos e econômicos que teimavam em ficar atrelados a São Bento do Sul. Os emancipacionistas argumentavam que a sede dava pouquíssimos recursos ao distrito, em contra partida a arrecadação provenientes da Móveis Cimo e da empresa de Luiz Bernardo Olsen eram expressivos, muito maior do que a do município sede.

No dia 02 de dezembro de 1953 houve uma reunião na Intendência Distrital de Rio Negrinho onde o vereador Eugênio Ferreira de Lima, um dos líderes do movimento, leu o parecer apresentado pelo cidadão Luiz Guinther à Câmara Municipal de Vereadores de São Bento do Sul sobre a criação do município de Rio Negrinho. Leu também a notícia da criação do município de Herval d' Oeste e declarou que baseado nesse fato o vereador Henrique Schwarz apresentou à Câmara o projeto para criação do município de Rio Negrinho. Na sessão ficou deliberado que a decisão da Câmara dependeria da manifestação da livre vontade do povo de Rio Negrinho. Heinz Hauffe sugeriu a organização de listas onde as pessoas favoráveis à criação do município assinassem no que houve concordância dos presentes. As pessoas que participaram desta primeira reunião foram: Arnaldo de Oliveira, Eugênio Ferreira de Lima, Vagemiro Jablonsky, Marinho Vieira, José Carlos Pscheidt, Henrique Liebl, Helmuth Ilg, Heinz Hauffe, Álvaro Spitzner, Carlos Lampe, José Zipperer Sobrinho, Milton Jorge Zipperer, José Bail, Engelberto Pscheidt, Herberto Tureck, Luiz Engel, Afonso Klaumann, Eugênio Dettmer, Max Jantsch, Roberto Thieme, Kurt Behr, Theodoro Hackbart, Romeu Olavo de Souza Tabalipa, Antonio Scaburi, José Nabor Carvalho, Alberto Tomelin, Péricles Porto Virmond, Ermílio Castilho, Dr. Frederico Guilherme Evers, Euclides Ribeiro, Militão König, José Flores de Souza.

Foram elaboradas várias listas para colher a assinatura do povo de Rio Negrinho. Cada lista tinha como cabeçalho os seguintes dizeres:

À Câmara Municipal São Bento do Sul
Senhor Presidente,
Senhores Vereadores.

"Os abaixo assinados moradores do Distrito de Rio Negrinho, tendo conhecimento de que em sessão de 1º de dezembro deste ano, foi apresentado pelo Sr. Vereador Henrique Schwarz, um projeto segundo o qual essa Câmara Municipal resolveria sobre a criação do Município de Rio Negrinho e tendo conhecimento também que essa decisão dependeria da manifestação da vontade do povo deste Distrito, vêm apelar para essa Câmara no sentido de que a mesma decida favoravelmente a essa criação, quer por deliberação própria, quer por manifestação dirigida à Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Rio Negrinho, 03 de dezembro de 1953”.

Com o abaixo assinado foram colhidas 1486 assinaturas. Eugênio Ferreira de Lima guardou as listas originais que hoje estão com a sua família. Em sessão da Câmara Municipal de São Bento do Sul, do dia 07 de dezembro de 1953, os vereadores foram unânimes em aprovar a criação do novo município de Rio Negrinho. Emílio Engel assinou como Presidente da Câmara. A Resolução nº 2/53 autoriza o vereador Eugênio Ferreira de Lima que, em nome da Câmara, entrasse em entendimentos com a Câmara Municipal de Mafra para promover as medidas legislativas necessárias à criação do município de Rio Negrinho. Assinado por Ernesto Venera dos Santos, vice-presidente da Câmara, em 11 de dezembro de 1953. A Lei nº 25/53 desanexa área territorial para a criação de município, assinada por Alfredo Diener, Prefeito Municipal, em 13 de dezembro de 1953. A Lei Estadual nº 133, de 30 de dezembro de 1953, cria o município de Rio Negrinho.

No dia 27 de fevereiro de 1954 assume o primeiro Prefeito Municipal, Henrique Liebl, nomeado pelo Governador do Estado, Irineu Bornhausen, ficando no poder até 15 de novembro de 1954 - quando assume o primeiro Prefeito eleito, Frederico Lampe.

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